Início · Minha história
Cheguei em 1987 com um travesseiro e um endereço na mão. Planaltina fez o resto.
Quando eu decidi vir pra Brasília, minha irmã Valdira me disse uma frase dura: “eu te dou três meses pra voltar com o rabo entre as pernas.” Ela não sabia, mas aquela frase virou combustível. Eu não voltei.
Cheguei ao Distrito Federal em janeiro de 1987, vindo de Várzea do Poço, na Bahia. Décimo segundo de catorze filhos de Plácido e Maria Rosalina. Meu pai, pedreiro, sustentou catorze filhos com a mão dele — e ensinou o único método que eu conheço: trabalho.
Vim encostado num travesseiro que minha mãe me entregou na hora da despedida. Era tudo o que eu trouxe. Bati de porta em porta até um primo me arrumar uma vaga: copeiro no Hotel Nacional, 14 de abril de 1987. Acordava às 4 da manhã, pegava o ônibus da TCB e entrava às 6 pra preparar o café dos hóspedes.
Fiz bico em estofaria pra complementar. Enquanto os outros descansavam, eu estudava pra concurso. Passei de copeiro a auxiliar administrativo, depois controladoria. Em 1994 passei em concurso público e virei servidor da Administração Regional de Planaltina.
Entrei no grupo de jovens da Paróquia São Vicente de Paulo. Fui animador da quadrilha junina da Vila Vicentina. Criei grupo de teatro — o Ato Te Ato, em 1988. Virei cenógrafo da Via Sacra do Morro da Capelinha e passei décadas montando aquele cenário com as minhas mãos, muito antes de existir a palavra “deputado” na minha vida.
Eu era ator autodidata e participava de um espetáculo no Teatro Nacional. Na hora de imprimir o cartaz, “Pedro Paulo de Oliveira” não cabia. Cortaram pra “Pepa de Oliveira”. Nunca mais me chamaram de outro jeito. O apelido não foi invenção de marqueteiro.
Namoramos ali, entre um ensaio e outro, e casamos em 1990. Formamos nossa família no Encontro de Casais com Cristo. Vieram os filhos, veio a neta, veio a vida inteira. E continuamos morando na Vila Vicentina — o mesmo bairro, desde sempre. Eu não mudei de endereço quando mudei de cargo.
Depois vieram a gerência cultural de Planaltina e a subsecretaria de Cultura do GDF. Foi pela cultura que eu aprendi a mobilizar gente.
Perdi em 2014. Perdi em 2018 por pouco, na suplência. Continuei andando entre uma eleição e outra — e é isso que faz diferença.
Eu chorei. E no dia seguinte eu estava na rua de novo.
Fiz onze leis. E continuo com o mesmo telefone, a mesma casa e o mesmo jeito de responder: eu atendo.
Se a minha história serve pra alguma coisa, é pra provar que trabalho ainda muda o destino de uma pessoa neste país.

Veja o que essa história virou em obra, em lei e em endereço.